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13/03/2014 10h20
Literatura de Aguinhas (15) - As obras literárias de Américo Werneck

Sumário


O Dr. Américo Werneck é um dos nosso mais operosos polygraphos. Si já escreveu trabalhos austeros sobre finanças, sobre agricultura, sobre educação, já publicou também novellas e romances. De todos os seus livros, o mais célebre é A arte de educar os filhos.

MEDEIROS E ALBUQUERQUE, escritor, professor e político.


Introdução

Os lambarienses reconhecem em Américo Werneck o

artífice de Lambari, emérito engenheiro que iniciou as obras de remodelação da antiga Águas Virtuosas, 

como o descreveu o memorialista Armindo Martins. (1)

Neste post vamos examinar uma sua face pouco divulgada — a de escritor. Vamos lá.


Américo Werneck, engenheiro de formação, foi fazendeiro, político e empresário. E foi também jornalista e escritor; deixou romances, alguns inspirados na vida pessoal, e opúsculos sobre agricultura, política e comércio. E, ainda, publicou livros sobre questões jurídicas, sociais, constitucionais, tributárias, financeiras, educacionais e históricas. Traduziu, também, Hamlet, de Shakespeare. [2]

Republicano e abolicionista, ocupou importantes cargos públicos (deputado, secretário de Estado, prefeito). 

Nesta série sobre os livros de Werneck, vamos comentar alguns aspectos de sua vida de publicista e de seus principais livros, da seguinte forma:

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Os livros que publicou

 No livro Um punhado de verdades (Rio de Janeiro : A. Gomes Pereira & C., Editores, 1923), consta a seguinte relação das obras literárias de Américo Werneck:



No site Literatura Digital, mantido pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), aparece esta lista de obras de Américo Werneck:


As obras A conjuração mineira e Romance brasileiro foram publicadas em folhetins. A primeira, na Gazeta Sul-Mineira, de São Gonçalo do Sapucaí (MG), no período de 11/10/1885 a 14/02/1886,  sem que tivesse sido concluída. A segunda, no Jornal do Comércio, no Rio de Janeiro, no ano de 1898. Esse folhetim, provavelmente, trata-se do embrião do romance Graciema, que, depois de refundido, foi lançado em livro em 1898 (1a. edição).

E também o romance Morena, antes de aparecer em livro, foi publicado na forma de folhetim, nas páginas da Gazeta Sul-Mineira, no período de 15/08/1886 a 17/04/1886.  [3]


NOTAS

  • Américo Werneck (...) produzia sem cessar obras de assuntos variados, ora como publicista - “O Brasil seu Presente e seu Futuro”; “Erros e Vícios da Organização Republicana”; “Problemas Fluminenses”; “Estudos Mineiros”; “Ecos da Multidão”; “Revisão Constitucional”; “Indústrias de Transportes”; ora como administrador e economista: “Reforma do Sistema Tributário”; “Reflexões sobre a Crise Financeira”; “Tarifas Aduaneiras”; “Política e Finanças”; ora como sociólogo e jurista: “Interdito Possessório”; “Juízo Arbitral”; “Liberdade de Testar”; “Do Divórcio”. (Fonte: Retrato de Werneck, feito por Augusto de Lima, político, poeta e membro da ABL). (4)
  • [Entre suas publicações de Werneck]... destacam-se os romances Morena (1893), Graciema (1898) e Judith, por seu noivo Américo Werneck (1912), além dos estudos O divórcio (1896), Arte de educar os filhos (1897), Reforma do sistema tributário (1899), Revisão constitucional (1918), Problemas fluminenses, o Brasil: seu presente e futuro, Erros e vícios da organização republicana, Reflexões sobre a crise financeira, Estudos mineiros, Indústria de transporte e A crise.

Publicou artigos na Gazeta Sul Mineira, fundada pelo Partido Republicano em São Gonçalo do Sapucaí (MG), e também artigos na Gazeta de Petrópolis, e bem assim colaborou em importantes jornais como Gazeta de Notícias, O Paiz, Jornal do Commércio e A Época. (Fonte: Dados biográficos de Américo Werneck. CPDOC/FGV - Luciana Pinheiro).

  • No tocante à série O Espiritismo perante a Sciencia, em 3 volumes, há um quarto livro, sem título, no qual Werneck descreveu suas próprias experiências realizadas com o médium José de Araujo. Ao que se sabe, esse último volume não foi publicado. (5)
  • Armindo Martins (1) refere-se ao livro Graciema e Juracy como sendo uma das obras de Werneck. Esse mesmo livro foi objeto de crítica literária no jornal Gazetinha, do Rio de Janeiro, na edição de 11 de junho de 1882, como se vê abaixo:

Graciema e Juracy trata-se de uma primitiva edição do livro Graciema, "em quatro volumes detestáveis, de estylo indeciso e incorrecto", confessaria Werneck mais tarde, em nota ao livro Judith. (6)

Werneck informa  ter escrito e publicado Graciema e Juracy ainda muito jovem, dominado "pela impaciência da estreia". Assim, refundiu completamente o livro e dele aproveitou apenas "a metade do título e umas 12 páginas" para lançar a primeira edição de Graciema, em 1898. (6)

Em 1920, aparece uma outra edição de Graciema, em 2 volumes, pela Editora Typographia Leuzinger, do Rio de Janeiro.

  • Eugênio Werneck, na Antologia Brasileira, coloca ainda entre as obras de Américo Werneck o livro Jucury (7)

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José de Alencar - o seu mestre literário

Eugênio Werneck assim se refere ao escritor Américo Werneck:

Fonte: Antologia Brasileira (7)

Foi no livro Judith (8) que Werneck apontou José de Alencar como sendo seu mestre literário. Eis o texto:

E essa influência vai bem transparecer no romance Graciema e Juracy. De fato, no jornal GAZETINHA, edição de 11 de junho de 1882, diz o o redator da coluna Bibliotheca da Gazetinha, num comentário ao citado romance:

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Onde estão os livros de Werneck?

O nome de Américo Werneck, como escritor, desapareceu, e suas obras, sem reedições, caíram no esquecimento.

NELSON WERNECK SODRÉ  (9)


 

Sabe-se que parte de seus livros e textos Werneck escreveu no recolhimento de sua propriedade em Lambari Fazenda dos Pinheiros, onde viveu com sua família, a espaços de tempo, no final dos anos 1800, início dos 1900. A sede dessa fazenda Casarão, como é chamada — ainda existe, mas não guarda nenhum livro ou outra recordação dessa atividade do escritor. (10)

No Museu Américo Werneck, em Lambari, podem ser encontrados alguns livros, pois me lembro da dedicação do Nascime Bacha à cata das obras de Werneck. Assim, com certeza, pelos menos os seguintes títulos encontram-se no acervo do museu: Graciema, Judith, Lucrécia, Um Punhado de Verdades  e Marido e Amante.

No Arquivo Público Mineiro, podem ser encontradas estas obras de Werneck:


Seus livros hoje são raridades, mas alguns deles podem ser encontrados em sebos brasileiros. Na Estante Virtual — um sebo eletrônico —, os livros abaixo estavam à venda na data deste post:


No Google Books, encontram-se referências a estes outros livros:

  • Graciema (aqui)
  • O Brazil : seu presente e seu futuro (aqui)
  • Problemas Fluminenses (aqui)
  • Erros e vícios da organisação republicana (aqui)

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Referências

  1. MARTINS, Armindo. Lambari, Cidade das Águas Virtuosas, 1a. edição, 1949, p. 19.
  2. GUIMARÃES, Antônio Lobo. Abigail [Mediunidade e redenção]. Belo Horizonte : Edição do Autor, 2009, p. 102.
  3. TINHORÃO, José Ramos. Os romances em folhetim no Brasil: 1830 à atualidade. São Paulo : Livraria Duas Cidades, 1994. Apud http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/.
  4. LIMA, Augusto de. Retrato de Werneck [Discurso proferido por ocasião da inauguração do retrato de Américo Werneck, no Asilo São Luiz para Velhice Desamparada, Rio de Janeiro] - Disponível em http://www.allnetmind.com.br.
  5. GUIMARÃES, Antônio Lobo. Abigail [Mediunidade e redenção]. Belo Horizonte : Edição do Autor, 2009, p. 103
  6. WERNECK, Américo. Judith, por seu noivo Américo Werneck. Lisboa : Typographya "A Editora Limitada", 1912, p. 110
  7. WERNECK, Eugênio. Antologia Brasileira - Coletânea e Prosa e Verso de Escritores Nacionais. Rio de Janeiro : Livraria Francisco Alves, 1941, p. 36.
  8. WERNECK, Américo. Judith, por seu noivo Américo Werneck. Lisboa : Typographya "A Editora Limitada", 1912, págs. 131/32.
  9. SODRÉ, Nelson Werneck. Memórias de um escritor [Vol. 1 - Formação]. Rio de Janeiro : Civilização Brasileira, 1970, p. 7.
  10. Uma foto antiga da sede dessa fazenda pode ser vista (aqui). Posteriormente, ela foi transformada no Parque Estadual de Nova Baden (aqui)

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Demais posts da série

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Publicado por Guimaguinhas em 13/03/2014 às 10h20
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