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[...] Com certeza também não arriscou na cumbuca,
nem ganhou brindes na roda da sorte, nem torceu pelos
coelhinhos do Juvêncio.


 (— “Vamos apostar, minha gente, vamos apostar que o coelhinho já vai correr!”)

(Do livro Menino-Serelepe(*)

Introdução

No interior de Minas, as datas comemorativas de santos e padroeiros sempre foram um espetáculo religioso e cultural de grande significação. Em Aguinhas, as mais tradicionais são: a festa da padroeira (Nossa Senhora da Saúde, no centro da cidade, em Agosto), São José (em Nova Baden), São Sebastião (no bairro da Serrinha) e São Benedito (na Vila Nova).

E festa de igreja em Aguinhas era também sinônimo de Juvêncio Toledo - uma pessoa muito especial que homenageamos acima, na foto e na citação.

Como eu nasci e fui criado na Vila Nova até os meus sete anos, no livro Menino-Serelepe anotei o seguinte acerca da Festa de São Benedito, que frequentava com meus pais, minha avó materna, tios e primos, nos anos 1960: 

 
Festa de São Benedito

Na Vila Nova, a comunidade católica frequentava, quando havia padres para tanto, as missas na igrejinha de São Benedito, construída no início do século pelo preto Adãozinho, um sacristão humilde e pobre, que deu nome a uma das ruas do bairro.
.....................
 
Na igrejinha, anualmente, no mês de abril, se realiza a festa do padroeiro. Em maio, ocorrem as conhecidas Congadas de Aguinhas, que também homenageiam o santo. Entre os ternos das congadas, há os que para salvar a bandeira, em sua cantoria, recitam ao santo este refrão:
 
São Benedito está triste na bandeira
Seus olhos correm água
Que cheira a flor de laranjeira
 
A festa de São Benedito sempre fez a alegria das crianças do bairro e também das da cidade, que a cerimônia vem de longa tradição e foi muito frequentada.
 
Nos preparativos, os festeiros arrecadavam recursos na comunidade, como doações em dinheiro e prendas. Os nomes das famílias e firmas contribuintes eram estampados nos programas da festa e esses, distribuídos por toda Aguinhas, para a zona rural, inclusive. Entre as prendas, via-se de tudo: porcos, galinhas, frangos. Doces, bolos, salgados. Louças, talheres, panelas. Roupas, presentes, bugigangas, quinquilharias, enfeites, artesanatos de toda ordem. E, claro, a alegria-surpresa da criançada: os tradicionais cartuchos, que eram feitos de cartolina, enfeitados de papel colorido e recheados de doces, balas, biscoitos. Eu acompanhava o mistério do pai me comprando um cartucho, sem compreender como: ele ficava olhando, a distância, enquanto o Dito Marciano provocava os lances: Afronta faço, se mais não acho; se mais achara, mais tomara, e de repente gritava: — ... e dou-lhe três! Vendido! Vendido por tanto, para o Dé, que está bem ali atrás.
 
 Como disse, tratava-se de uma alegria-surpresa: alegria na compra e algumas surpresas depois que se abria o volume, porque muitos desses cartuchos costumavam trazer bolachas mofadas, doces velhos e balas duras, das mais baratas, mas essa ocorrência era minoria, porque na Vila Nova havia, por essa quadra do tempo, muita quitandeira das boas.
 
Na semana da festa, se armavam as barraquinhas e toda a tradição das festas do interior de Minas ali se apresentava: o mastro do padroeiro, a cumbuca, o leilão de prenda, a barraca do coelhinho, a roda da sorte (essas duas sempre animadas pela figura inesquecível do Juvêncio), a barraca de doces e salgados, a do cachorro-quente, pastel e quentão. E também a gente podia oferecer músicas, que eram tocadas no alto- falante da igreja: “Alguém oferece a alguém e esse alguém sabe quem”, bradava o locutor, de modo que metade dos frequentadores se imaginava incluída na “oferenda musical”.

Programa da festa


Obras da Igreja


Igreja de São Benedito, 1944 - início da construção do cruzeiro.


​Igreja de São Benedito e as obras de construção do cruzeiro
Outras fotos


​Eu, menino, na Vila Nova. Ao fundo, a Igreja de São Benedito


​Festa de São José, em Nova Baden (1973)
 
​Congadas - Terno do seu Zé Marques


(*) Esta narrativa faz parte do livro Menino-Serelepe - Um antigo menino levado contando vantagem, uma ficção baseada em fatos reais da vida do autor, numa cidadezinha do interior de Minas Gerais, nos anos 1960.
 
O livro é de autoria de Antônio Lobo Guimarães, pseudônimo com que Antônio Carlos Guimarães (Guima, de Aguinhas) assina a série MEMÓRIAS DE ÁGUINHAS. Veja acima o tópico Livros à Venda.

(**) Foto cartuchos - fonte: 
http://www.parabrisa.com.br
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Enviado por Guimaguinhas em 25/05/2013
Alterado em 11/09/2013
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