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02/05/2013 18h05
O Catupiry é de Aguinhas!

Ilustração: Antiga embalagem estilizada do CATUPIRY


SUMÁRIO


Apresentação

Como sabem os lambarienses, o Catupiry é de Aguinhas! 

Isto é: o famoso requeijão, que de tão famoso deixou de ser marca para ser nome próprio (assim como GilleteBrahma, por exemplos, são sinônimos de lâmina de barbear e cerveja), foi criado por Mário e Isaíra Silvestrini, em 1911, aqui em Águas Virtuosas, hoje Lambari, e para nós deste espaço eletrônico simplesmente Aguinhas. (1) (2) (3)


                      Produtos Silvestrini em exposição no Rio de Janeiro, em 1925 (Revista Revista Doméstica, nov/1925) - Fonte da imagem: Museu Américo Werneck

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Meus avós e os Laticínios Silvestrini

Em O Menino-Serelepe (*) conto passagem da vida de meus avós maternos em que eles se mudaram de Aguinhas (Lambari) para Pitangueiras (SP), época em que meu avô Miguel trabalhava para os Silvestrini. Eis o trecho:

Vidinha mais ou menos boa vó Cema só teve quando vô Miguel foi ser gerente de laticínio em Pitangueiras, no Estado de São Paulo (uma foto do meu avô engravatado, posando com toda a família e a professora particular dos filhos, ilustra bem essa fase). Vô foi pra Pitangueiras levado pelo Mário Silvestrini, que o meu avô foi queijeiro dos bons e ensinou o ofício pros filhos homens mais velhos. [V. foto, abaixo.]

Noutro trecho, me refiro ao Catupiry:

Mas a gente, vez por outra, comia coisas boas no passadio, porque o pai tinha o dom de saber “aplicar injeção sem dor”, povo dizia, e por conta disso ganhava presentes.

Do povo da roça: franguinho caipira, queijo de Minas, massinha de rapadura, goiabada cascão, ovos enrolados em palha de milho; do povo da cidade: requeijão Cremelino do Belloni, caixetas de doces da Tereza Viola, toletes de manteiga do Nélson Ximenes, pó-de-café do Jaca, caixinhas de Catupiry, que é invenção dos Silvestrini, aqui de Aguinhas, e quer dizer excelente em tupi-guarani. E mais vinhos do Sebastião Fernandes e cachaças do Amâncio Mandarano, que o pai sempre gostou moderadamente de um traguinho.

Na passagem acima há, contudo, um equívoco, que quero corrigir aqui: Cremelino não era a marca do requeijão produzido pelo Belloni, e sim Natália. Vejam abaixo que propaganda da época faz referência ao Creme Natália — o requeijão produzido pelos Laticínios Glória, de Alfeu Belloni.

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Fonte da imagem: Armindo Martins. Lambari, Cidade das Águas Virtuosas, 1949.


As antigas instalações dos Laticínios Silvestrini em Lambari

 

As instalações dos Laticínios Silvestrini em Lambari situavam-se atrás do atual Posto Gregatti. Na foto, vê-se uma ponte sobre o Rio Mumbuca e ao fundo o Colégio Santa Terezinha (destruído por um incêndio em 1987 - aqui)

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O requeijão Cremelino

Mas e o Cremelino?

Cremelino foi uma outra marca de requeijão, também criada pelos Silvestrini, nos anos 1940. Isso já em São Lourenço, visto que, anos antes, eles haviam mudado sua indústria de Lambari para aquela cidade.

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Os Laticínios Silvestrini mudam-se para São Lourenço

Em 1928, à vista de problemas políticos locais, ausência de estímulos fiscais e dificuldades para o crescimento, os Silvestrini tomaram a decisão de mudar a empresa para São Lourenço.

Para essa mudança de domicílio, foram decisivos os incentivos que receberam: isenção de impostos por 10 anos e cessão de terreno ao lado da estação ferroviária, o que facilitaria o transporte de leite e creme, que era feito por via férrea.

Ao fundo, à direita, as instalações dos Laticínios Silvestrini, em São Lourenço, em 1934

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O testemunho de Rubens Gentil Lobo

Quem me confirma parte dessas histórias é Rubens Gentil Lobo, meu tio, hoje com 88 anos, que trabalhou no Laticínios Glória. Mas, segundo ele, o nome do requeijão produzido pelo Belloni era conhecido por Natalino — creme Natalino — e não por Natália.

Ele se recorda ainda que em Pitangueiras, isso no final dos anos 1930, preparava-se o creme com que se produzia o Catupiry, e que era enviado para uma fábrica existente em São Paulo, na Rua São Caetano. (4)

E nos anos 1940 ele também trabalhou num laticínio em Olímpio Noronha, da família Carneiro, onde era preparado creme para manteiga, e as sobras do leite eram destinadas à extração de gazelina, que, segundo ele diz, tratava-se de material utilizado na produção de botões, cujas matérias-primas tradicionais - madrepérola, marfim, etc. , estavam em falta em vista da Segunda Guerra Mundial. (5)


 Pitangueiras (SP), anos 1930. Na foto: meus avós Miguel e Iracema, minha mãe Neli (no colo) e seus irmãos: Messias, Rubens, Mário, Sara e Maria José.

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Referências

(1) Eis o site da Catupiry®

(2) A história do Catupiry pode ser vista neste link:

         http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/historia-da-catupiry/historia-da-catupiry-3.php 

(3)  Diz Chico Júnior que a receita do Catupiry é um segredo: Embora os ingredientes básicos sejam conhecidos - leite fresco selecionado, creme de leite, massa coalhada e sal - a  técnica de fabricação é mantida em segredo desde 1911. O tempo de cozimento, a temperatura durante o processo de fabricação, a dosagem e a alta qualidade dos ingredientes utilizados também fazem parte da receita. Fonte:    

 http://www.sidneyrezende.com/noticia/155589+catupiry+um+dos+simbolos+da+gastronomia+nacional+faz+100+anos

(4) Imagens de antiga fábrica da Catupiry, em São Paulo, nos anos 1940, podem ser vistas neste link:

        http://www.4shared.com/all-images/sQ0SLuqh/IMAGENS_ANTIGAS.html

(5) A não ser essa informação de Rubens Lobo, não consegui nenhuma outra relativamente ao termo gazelina.

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(*) Menino-Serelepe - Um antigo menino levado contando vantagem trata-se de uma ficção baseada em fatos reais da vida do autor, na Lambari dos anos 1960.

O livro é de autoria de Antônio Lobo Guimarães, pseudônimo com que Antônio Carlos Guimarães (Guima, de Aguinhas) assina a série MEMÓRIAS DE ÁGUINHAS. Veja acima o tópico Livros à Venda.


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Publicado por Guimaguinhas em 02/05/2013 às 18h05
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