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Minha tia Clélia
Tia Clélia (Raimundi Guimarães) foi casada com João Guimarães (irmão de meu pai) e mãe de Abigail (Biga), João Batista (Tista) e Luciano, meus primos. No livro Menino-Serelepe* deixei anotadas algumas lembranças dessa tia boa, carinhosa, brincalhona, "moleca" quase, a quem muito estimei.

Esse post relembra algumas dessas doces passagens de minha meninice.

      Ao centro, Tia Clélia e Tista. Acima, eu e minha mãe Neli.
Lances de minha vida com tia Clélia

Anotei em certo trecho que minha mãe 

gostava muito da tia Clélia e vivia dizendo a Clélia não é soberba, trata muito bem a gente.
 
Neste, suas qualidades de cozinheira:
 
E quando batia a fome, lá vinha a tia Clélia inventar comida que, na cozinha, ela aproveitava tudo, não perdia nada: pão velho e duro com azeite, sal e alho, era melhor do que pão quentinho da padaria. — Tem queijo, tia? — Tem não, mas eu invento um. E pegava meio litro de leite, botava uma pitadinha de sal amargo, metia na panela e de lá saía um queijinho especial, qual eu nunca mais comi depois que ela morreu. Tia Clélia, que não era de esbanjar nada, dizia quem aproveita o farelo, não desperdiça o fubá, no seu jeito moleca, dando uma piscadinha, sorrindo, enquanto nos servia o café
 
E, ainda, em outros, o seu gênio divertido e brincalhão, que nós crianças adorávamos:
 
 A tia Clélia é tão boa que é a única que brinca junto com as crianças e deixa a gente comer leite com manga, eu exaltava pra mãe umas tantas qualidades dessa tia que se foi ainda muito nova.
........
Isso tudo de dia, porque à noite a própria tia Clélia nos ajudava nas travessuras: caveira recortada em abóboras ou cobras feitas de meia que eram puxadas por um barbante pra, de noitinha, assustar menino pequeno, lanternas de vaga-lumes, armadilha com latinhas de mijo e bombinhas pra fazer foguetinho de latinhas de massa de tomate eram nossas brincadeiras favoritas. 
 

Costureira criativa

Em diversos lances, lembrei-me de quantas roupas fez para mim. Confiram:
 
(...)  tia Clélia era também criativa na máquina de costura. Fazia qualquer costura, consertava roupa, inventava coisas. Pra mim, certa vez, fez um calção de banho verde, do tipo bem agarradinho que se usava por esse tempo e que era fechado na lateral por um grande zíper. Depois, quando surgiram umas bolsas escolares feitas de plástico, também com zíper, ela deu um jeito de me copiar o modelo, usando como matéria-prima um grosso saco plástico transparente, daqueles que vinham embalando adubo. E no Carnaval, das roupas velhas fazia ressurgir fantasias pra todomundo.
..........

(...) por essa época, já usava umas cuecas costuradas pela tia Clélia, que eram feitas de saco de farinha de trigo, lavado e alvejado pela vó Margarida. 
..........

Tia Clélia me fez uma camisa quadriculada, verde e branca com botões cobertos.

Sobre as roupas de pescaria e caçadas

Num trecho relembro as pescarias com meu pai e os trajes que minha tia fazia para as crianças, aprendizes de pescadores e caçadores:
 
Por isso foi que pai, mesmo sem gostar muito, passou a me levar pra pescar. Me ensinou a preparar as varas — cortar na lua certinha, limpar, sapecar, passar sebo, deixando-as flexíveis e reluzentes — a encordoar, a fazer cabresto, a encastoar anzóis, a manufaturar chumbadas em orifícios de tijolos; e, depois, comprou botina, caxerenga de ponta e bainha; tia Clélia botou pano num chapeuzinho de palha e fez roupinha de pescador aprontada no jeito. E pai punha também sua indumentária e lá íamos pra todo lado pescar.

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(1) Guima com o "chapéu de pescador"          (2) Tista e Tadeu "fantasiados" de caçadores


Tia Clélia e o neto (Júnior)
Vocabulário de Aguinhas

Caxerenga: Faca de caboclo. 
Encastoar: Engastar o anzol na linha ou no pé de aço.

.  (*) Menino-Serelepe - Um antigo menino levado contando vantagem é um livro de memórias de Antônio Lobo Guimarães, pseudônimo com que Antônio Carlos Guimarães (Guima, de Aguinhas) assina a coletânea HISTÓRIAS DE ÁGUINHAS. V. na abertura do site o tópico Livros à Venda. 
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Enviado por Guimaguinhas em 26/11/2015
Alterado em 26/11/2015
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