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29/06/2013 20h25
ABI - Uma história de 100 anos

SUMÁRIO


Chegada dos italianos e a rua do mesmo nome

A história da família Biaso, em Lambari, e da Indústria ABI fundada pela família em 1913, começa com o patriarca Francesco de Biase, nascido em 1863, em Vinchiaturo, região do Molise, província de Campobasso. Francesco veio para o Brasil, ainda jovem, na década de 1890. Ele seria mais um a somar-se ao grande número de italianos que começaram a chegar a Campanha em 1860, e que entre as décadas de 1870 e 1880 alcançaram Águas Virtuosas.  (1) (2) (3)

Quase todos aparentados, muitos deles se instalaram próximos uns dos outros. Depois da eleição de 15/11/1894, a rua em que moravam (antiga Camilo Fraga) tomou o nome de Rua dos Italianos, circunstância que atraiu para ela outras famílias italianas que residiam em pontos diferentes na povoação. (1)

Em 1895, Francesco casou-se com Maria Paschoalina Miléo, também italiana, oriunda da Brasilicata. Dessa união nasceram 8 filhos: Annunciato, Maria, Miguel, Luiz, Tereza, Egídio, Ângelo e Antônio, tendo a família adotado o sobrenome Biaso. (3)

Fundação da ABI

Francesco trabalhou como caldeireiro e funileiro e iniciou os filhos na profissão. (1). Em 1913, contava Annunciato com 18 anos quando, em conjunto com seus irmãos Miguel e Luiz, fundou a ABI - Annunciato Biaso Irmãos S/A, uma fábrica de latões para leite.


Diversificação dos negócios

Na década de 1920, os irmãos Biaso ampliaram e diversificaram os negócios com a criação de um posto de gasolina e oficina, uma concessionária de veículos Chevrolet, uma olaria no bairro da Cerâmica e, por fim, um cinema. (3)

A Concessionária Chevrolet e o Posto de Serviços

        

Vista interna da Agência Chevrolet. Na parede, estoque de peças: feixes de mola, eixos, câmbios, escapamentos, para-choques. Ao fundo, na parede, ilustrações de veículos.

Informações e fotos dessa antiga Agência Chevrolet de Lambari, dos anos 1929/30podem ser vistos aqui

Foto do Posto Biaso pode ser vista aqui.


A Cerâmica ABI

         

Tijolos fabricados pela ABI, no bairro Cerâmica, com o logotipo tradicional: ABI


O Cine ABI

 

Programa do Cine ABI para um domingo de agosto de 1960


No livro Menino-Serelepe eu conto como gastei uma gorjeta que ganhara do Dr. Ivan Lins, nos meus tempos de aprendiz na Farmácia Santo Antônio:

Ao sair, doutor Ivan me chamou e disse: — Tome cá, menino. Isto é para você ir ao cinema! E me passou notas de cinco, novinhas em folha, daquelas em que há a efígie do Barão do Rio Branco e a figura do índio. Eu já ganhara o meu domingo! 

.....................................

Com o dinheiro garantido dei uma corrida até em casa, almocei, peguei a coleção de gibis, rumei para o Cine ABI e fiz fartura: Drops Dulcora, cigarrinhos de chocolate Pan, balas de mel. Duas sessões: Cantiflas na matinê (Vamos voar, moço); Galante e Sanguinário, com Glen Ford, Van Heflin e Feliciam Farr, às quatro horas (eu era louquinho por fitas de bangue-bangue). E o troca-troca de gibis rendeu muito, antes daquela matinê de domingo: — Revista da Ebal vale duas da Vecchi!

As Indústrias ABI

Já registrei aqui no site minha passagem como funcionário da ABI, por um curto período, entre 1970 e 1971. (4)

Por essa época, os irmãos Biaso já haviam vendido a fábrica, mas ainda trabalhavam lá alguns membros da família, como o seu Chiquinho Biaso e o Wadinho Biaso. Aquele era gerente do escritório; este conhecia tudo da parte mecânica da fábrica, além de desenhar e construir muitas das máquinas industriais lá utilizadas. O contador era Oswaldo Krauss, que vem a ser pai de minha professora primária, dona Marcela. (5)


                 

Anos 1940: propaganda dos latões ABI, já então famosos em todo o Brasil, lançava o desafio: Não tememos confronto com os similares

Uma curiosidade acima: o endereço telegráfico BIASOIRMÃOS.

Endereço telegráfico era uma única palavra - registrada oficialmente pelos interessados nos Correios e Telegráfos - que substituia o nome e o endereço dos destinatários de telegramas. Antes de existir a internet, o e-mail e outras formas de comunicação modernas, o endereço telegráfico foi muito usado por empresas ou indivíduos que tinham grande tráfego de telegramas, para economizar no custo de sua transmissão - que era cobrado por letras - e agilizar sua entrega. (Wikipédia)


Por essa década de 1940, os vasilhames e utensílios para indústria de laticínios eram feitos de aço revestidos por uma dupla camada de estanho (aço estanhado). Vê-se acima também que, além dos vasilhames tradicionais, a indústria reformava outros tipos de equipamentos: resfriadores, pasteurizadores, depósitos.

Com a venda da ABI para o grupo paulista Guarany, em 1963, os irmãos Biaso constituíram a Biasinox, associando seu conhecimento tecnológico de longa data ao aço inoxidável na fabricação de utensílios e máquinas para a indústria de processamento de leite.

E foram o know-how e a expertise* das Indústrias ABI no desenvolvimento de projetos e na produção de utensílios, equipamentos e maquinaria para laticínios que deram origem a diversas outras indústrias do ramo existentes hoje em Lambari, algumas delas criadas por ex-funcionários daquela fábrica. (1)


A sirene da ABI

 Muitos lambarienses somos de uma época em que, mais do que o badalar do relógio da matriz, o que de fato assinalava os horários na cidade era a sirene da ABI - às 06h50, 7 h, 11 h, 12 h e 17h36... E a incrível sirene era ouvida em quase tudo quanto é canto de Lambari...

De fato, dizia a mãe pros filhos preguiçosos: Levanta, menino, a sirene do Biaso já tocou! Sirene do Biaso e não sirene da ABI - dizia-se então.

E também se dizia: Fulano trabalha no Biaso. Isso era sinônimo de: Fulano trabalha na ABI - tão importante foi essa indústria para nossa cidade e tantas pessoas passaram suas vidas naquele chão de fábrica!

Eu, jovem de 17 anos, respondia orgulhoso quando me perguntavam o que fazia: - Trabalho no escritório da Biaso!


Balanço da ABI em 1960

                 

Balanço da ABI, de 31 de dezembro de 1960, publicado no semanário lambariense Sputnik (6)


Visita à fábrica - Anos 1970

               

Visita do então Ministro Mário Andreazza à ABI. Na foto, pela ordem: o contador Oswaldo Krauss, o Prefeito Jairo Ferreira, o Ministro AndreazzaWadinho Biaso, explicando o processo industrial.

 


Reportagem sobre os 100 anos da ABI

   

Na edição de Maio de 2013, o Jornal Serra das Águas, de Lambari, publicou reportagem sobre o centenário da ABI (texto do historiador Cid Dutra).


Vídeos - Youtube

- A fábrica da ABI dos anos 1970: ABI

Aqui um vídeo da Biasinox


(*) Gênese e aplicação do conhecimento nas organizações:

O conhecimento origina-se nas PESSOAS, permeia os PROCESSOS, agrega-se aos PRODUTOS/SERVIÇOS e formaliza-se nas ORGANIZAÇÕES, deste modo:

 Nas PESSOAS: saberes, experiências, perícias
 Nos PROCESSOS: técnicas de execução, práticas dos grupos, experiência das equipes
 Nos PRODUTOS/SERVIÇOS: qualidade, valor, excelência
 Nas ORGANIZAÇÕES: estruturas, políticas, valores, manuais, sistemas, marcas,
    patentes, relacionamentos, cultura
 
[In Antônio Carlos Guimarães - GIC e Doutrina Espírita, pag. 12]
 

Referências bibliográficas

(1) MILÉO, José Nicolau. Ruas de Lambari. Guaratinguetá, SP : Graficávila, 1970, págs. 47 e 50

(2) VIOLA, Paulo Roberto. Lambari, como eu gosto de você. Rio de Janeiro : Ed. Navona, 2002, pág. 63.

(3) JORNAL DA SERRA DAS ÁGUAS - N. 4 - Ano I - Maio de 2013 - Lambari, MG, págs. 4/5

(4) ABI - A indústria e o time de futebol - http://www.guimaguinhas.prosaeverso.net/blog.php?idb=37079

(5) No Grupo João Bráulio - http://www.guimaguinhas.prosaeverso.net/visualizar.php?idt=4267421

(6) Sputnik - http://www.guimaguinhas.prosaeverso.net/blog.php?idb=36370


Fonte das imagens: Jornal Serra das Águas (Cine ABI); Semanário SputinikMuseu Américo Werneck. Armindo Martins (reprodução do livro Lambari - Cidade das Águas Virtuosas). Agradecemos também a colaboração de André Gesualdi.


(*) O livro Menino-Serelepe - Um antigo menino levado contando vantagem, trata-se de uma ficção baseada em fatos reais da vida do autor, numa cidadezinha do interior de Minas Gerais, nos anos 1960.

O livro é de autoria de Antônio Lobo Guimarães, pseudônimo com que Antônio Carlos Guimarães (Guima, de Aguinhas) assina a série MEMÓRIAS DE AGUINHAS. Veja acima o tópico Livros à Venda.

 

 


Publicado por Guimaguinhas em 29/06/2013 às 20h25
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