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13/03/2014 10h35
Literatura de Aguinhas (15) - Os romances de Américo Werneck

SUMÁRIO


Américo Werneck poderia ter sido um pensador, um lutador, um patriota, um educador, um forte, como quiserem, mas nunca um romancista.

THEMÍSTOCLES LINHARES (2)


Introdução

Para a compreensão deste post e dos seguintes — que vão tratar dos livros técnicos e das obras espíritas de Werneck — é interessante examinar antes o contexto cultural em que o escritor se situou (aqui).

Outro fator é atentar para a data de publicação de seus romances:

É de recordar-se, também, que, em nota acrescentada posteriormente ao livro Judith (1) — que é de 1912, Werneck confessa ter publicado cedo demais o livro Graciema e Juracy (a 1a. edição é, provavelmente, de data anterior a 1882; a 2a., complementamente remodelada, de 1898). Ainda em Judith, Werneck informa que desde muito jovem trabalhara em seus futuros romances e livros (Graciema, Morena, Arte de Educar os Filhos) e aconselha aos escritores a não se deixarem vencer pela impaciência da estreia (1).

Saliente-se que a produção romanesca de Werneck é quase toda da sua primeira fase de escritor — parte dela produzida pelo jovem imaturo, ao qual faltava ainda "a escola da experiência, a lição do sofrimento", como ele próprio expressou. À exceção de Marido e Amante (1917), posteriormente aos anos 1900, sua pena não produzirá nenhum outro romance.

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Personagens femininas

Um ponto importante para se creditar ao romancista Américo Werneck é a construção de grandes personagens femininas.

De fato, Bárbara Heliodora (personagem de seu romance A heroína da Inconfidência) [2]Graciema, Juracy (essa inspirada em Judith Lemos, sua primeira mulher), e, ainda, Hermengarda (de Arte de Educar os Filhos) [3] são admiráveis mulheres, figuras romanescas fortes, sensíveis, inteligentes, criadas numa época em que a cultura, geralmente, reservava à mulher um papel subalterno e submisso.

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Werneck romancista

  Os críticos literários que analisaram romances de Américo Werneck dão-no como um bom escritor, pensador, articulista, publicista. E veem também algum talento no romancista, mas ainda longe dos autores de primeira plana.

O professor, ensaísta e membro da ABL, Medeiros e Albuquerque, analisando o romance Marido e Amante (4), disse que os trabalhos literários eram a parte acessória da atividade intelectual de Werneck, e, em razão disso, havia no escritor

(...) muito mais habilidade para a exposição de ideias abstratas do que para a exposição literária, a descrição, a análise psicológica.

Themístocles Linhares, em remate aos comentários que escreveu sobre os livros Marido e Amante e Graciema, afirma

Américo Werneck poderia ter sido um pensador, um lutador, um patriota, um educador, um forte, como quiserem, mas nunca um romancista. (5)

Já o redator da coluna Bibliotheca da Gazetinha [jornal GAZETINHA, Rio de Janeiro, edição de 11 de junho de 1882], ao comentar o romance Graciema e Juracy, cuja 2a. edição foi completamente remodelada, anotou:

O livro do sr. Werneck, apesar de alguns graves defeitos (...), revela qualidades apreciáveis e grande tendência para o romance.

E João Ribeiro, no exame crítico de Graciema (6), viu mais qualidades do que defeitos no livro e no autor. Entre os defeitos, por exemplo, citou a complicação do entrecho do livro e o número de episódios e incidentes da narrativa. Mas apontou que o autor conseguiu fazer

A observação exata e escrupulosa dos cenários, como das pessoas e da vida do interior nas fazendas, aliás com certos tons de róseo otimismo.

E acabou por aconselhar

(...) a leitura do livro a todas as pessoas delicadas e de sentimentos puros, que se comprazem em histórias edificantes.

E finalizou:

É, pois, um formoso romance nacional, pelo estilo e pelo tema, pelo caráter e pela forma.

Enfim, para Agripino Grieco, Werneck figurava entre os romancistas que divertem e não pervetem, fugindo ao abuso do efeito literário das lágrimas, não caindo também no efeito contrário: à gargalhada excessiva que escancara as mandíbulas e rebenta os suspensórios burgueses. (7)

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Reconstrução de costumes e tradições do passado

No prefácio da 1a. edição de Casa-grande & senzala, Gilberto Freyre, ao listar os livros que consultou para elaborar sua grande obra, põe Américo Werneck  [Graciema, edição de 1920] entre os autores

que fixaram com maior ou menor realismo aspectos característicos da vida doméstica e sexual do brasileiro; das relações entre senhores e escravos; do trabalho nos engenhos; das festas e procissões. (8).

E esse parece ter sido o talento especial do romancista, qual seja "a capacidade de reconstrução dos costumes e tradições do nosso passado" (9), visto ter sido ele um "exímio pintor de quadros, cenas e tipos da roça" (10).

De fato, João Ribeiro (6) já assinalara, quanto ao romance Graciema:

Não é menos exato o realismo dos antigos costumes, a sorte mísera dos negros fugidos nos quilombos, suas feitiçarias e seus crimes.

E outro autor que vai beber nas páginas de Graciema, para elaborar notas de apoio à sua criação literária, é Guimarães Rosa. Com efeito, entre os documentos que compõe o arquivo literário de Rosa, no tópico cujo tema são os "gatos", há uma transcrição de um diálogo entre Graciema e uma criança, nos informa Frederico Camargo. (*)

 (*) CAMARGO, Frederico Antonio Camillo. Da montanha de minério ao metal raro: os estudos para a obra de João Guimarães Rosa. [Dissertação - Pós-graduação em Teoria Literária e Literatura Comparada] - Universidade de São Paulo (USP), São Paulo, 2013, p. 52. Disponível em - https://www.google.com.br/#q=frederico+camargo%2C+da+montanha%2C+guimaraes+rosa - Visitado em março/2014.

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A linguagem do romancista

 Confessadamente um discípulo do maior de nossos indianistas (aqui), o entrecho de Graciema não só "lembra algumas das maiores composições de José Alencar", como a linguagem adotada por Werneck procura se aproximar daquela "língua brasileira", preconizada pelo fundador da literatura nacional.

Com efeito, nos lembra João Ribeiro (6), que Werneck anotou o seguinte, nas páginas preliminares de Graciema:

Nascido e criado no ambiente americano, onde a língua materna sofreu modificações e acréscimos notáveis, não posso, sem violência à natureza e sem renegar a minha origem, falar, sentir, pronunciar, escrever, ou euroupar o pensamento, segundo os usos e moldes do moderno ou antigo português europeu.

E da mesma forma como Alencar procedeu no romance O Guarani, Werneck, nas últimas páginas do segundo volume de Graciema, formou um pequeno e interessante vocabulário de brasileirismos que ocorrem no livro. (6)

Já em Marido e Amante, de 1917, fez ele a seguinte anotação quanto aos galicismos:

Aceitando a nacionalização de certos vocábulos estrangeiros, como: chalet, toilette, silhouette, bonnet, champanhe, bond, creche e outros, que o uso diário introduziu na lingua, escrevo-os de acordo com a nossa pronúncia e ortografia: chalé, toalete, silhueta, boné, champanhe, bonde, creche, etc. (11)

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Sinopses de livros de Américo Werneck

Para ver uma pequena sinopse dos seguintes livros de Américo Werneck:

  • Judith
  • A heroína da Inconfidência
  • Marido e Amante
  • Graciema
  • Lucrécia
  • Arte de Educar os Filhos

clique (aqui)

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  1. WERNECK, Américo. Judith, por seu noivo Américo Werneck. Lisboa : Typographia A Editora Ltda., 1912, p. 111.
  2. WERNECK, Américo. A heroína da Inconfidência. Belo Horizonte : Imprensa Oficial, 1899.
  3. WERNECK, Américo. Arte de Educar os Filhos, 1896.
  4. MEDEIROS E ALBUQUERQUE, José Joaquim de Campos da Costa de. Páginas de Crítica. Rio de Janeiro : Leite Ribeiro e Maurillo Editores, 1920, págs. 271/76.
  5. LINHARES, Themístocles. História Crítica do Romance Brasileiro (1728-1981). Belo Horizonte : Itatiaia : Editora da USP, 1987, p. 258.
  6. RIBEIRO, JoãoCrítica [Volume III - Autores de Ficção]. Rio de Janeiro : ABL, 1959, pags. 179/183.
  7. GRIECO, AgripinoEvolução da Prosa Brasileira. Rio : José Olympio, 2a. ed., 1947, p. 114. Apud LINHARES, Themístocles. História Crítica do Romance Brasileiro (1728-1981). Belo Horizonte : Itatiaia : Editora da USP, 1987, p. 257. 
  8. FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala - Formação da família brasileira sob o regime de economia patriarcal. Rio de Janeiro : Maia & Schmidt, 1933
  9. LIMA, Augusto deRetrato de Werneck [Discurso proferido por ocasião da inauguração do retrato de Américo Werneck, no Asilo São Luiz para Velhice Desamparada, Rio de Janeiro] - Disponível em http://www.allnetmind.com.br.
  10. WERNECK, Eugênio. Antologia Brasileira - Coletânea e Prosa e Verso de Escritores Nacionais. Rio de Janeiro : Livraria Francisco Alves, 1941, p. 36.
  11. WERNECK, Américo. Marido e Amante. Rio de Janeiro, 1917.

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Publicado por Guimaguinhas em 13/03/2014 às 10h35
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