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20/03/2014 07h33
Literatura de Aguinhas (16) - Os livros espíritas de Werneck

Centenas de fatos que pessoalmente observei em bons círculos de manifestações psíquicas me autorizam a proclamar com absoluta segurança a verdade contida nas lições de Kardec.

AMÉRICO WERNECK


SUMÁRIO


Introdução

No livro Um punhado de verdades, publicado em 1923 (1), fica-se sabendo que Américo Werneck começou a estudar a codificação de Allan Kardec em 1905, e que foi estudioso e experimentador dos fenômenos psíquicos. 

No Museu Américo Werneck, em Lambari, há um volume desse livro, uma doação do advogado José Sgarbi Astério àquela instituição.

Esse o tema deste post, que encerra a série AS OBRAS LITERÁRIAS DE AMÉRICO WERNECK.

Vamos lá.

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Werneck espírita

A obra espírita de Américo Werneck, intitulada O Espiritismo perante a Sciencia, foi escrita em 4 volumes:

  • Um punhado de verdades – aborda a questão sob o aspecto político, jurídico, social e religioso;
  • Através de Lombroso – trata-se de uma exposição sobre os estudos do psiquiatra italiano;
  • No campo das Hyphoteses – é uma análise das teorias de Sage e outros;
  • e no quarto, sem título, ele apresenta suas próprias experiências espíritas, realizadas com o médium José de Araujo. Ao que se sabe, o último volume não foi publicado.

Lista das obras espíritas de Américo Werneck. No ano de 1923, as duas últimas encontravam-se no prelo.

Vê-se, assim, que Werneck não era positivista, pois Um punhado de verdades encerra uma bela confissão de fé na doutrina codificada por Kardec e uma extraordinária defesa dos postulados espiritistas.[*] Nesse livro, Werneck anotou: Ao espiritismo, que... dizem ser obra do diabo, devo as maiores consolações da vida. (2)

[*] PORTUGAL, Henrique Furtado. Velho livro de Américo Werneck. O Triângulo, Uberlândia, MG, 19 nov. 1974.


....................................................... 

No artigo acima o autor comenta o livro Um punhado de verdades, que lhe fora emprestado por José Sgarbi Astério.

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Um Punhado de Verdades

Passei a vida pugnando pelos direitos individuais; e neste posto entregarei minha alma a Deus.

AMÉRICO WERNECK


Themístocles Linhares, em sua História Crítica do Romance Brasileiro (1728-1981)[3]informa em nota de rodapé que

Américo Werneck (...) escreveu vários livros e um dos últimos, publicado em 1924, foi Um punhado de verdades, obra de combate em que o autor procurava defender a doutrina espírita, de que se fez cultor e paladino. O livro abordava vários problemas, como o caso do japonês, em que o autor verberava o preconceito de raças, mostrando quão desumano e pouco sensato era pretender relegar ao isolamento a forte raça nipônica.

Nessa sua primeira obra sobre o Espiritismo — na verdade uma coletânea de artigos reunidos num livro de 194 páginas , Werneck expõe argumentos de defesa da doutrina sob os seguintes aspectos principais: — o doutrinário, no qual faz sua profissão de fé espírita, baseada em leituras, observações e provas experimentais; o jurídico, em que analisa os aspectos constitucionais e legais da livre consciência e da prática espírita da mediunidade e do receituário e curas espirituais; e o político-social, em que disserta sobre vários assuntos ligados à liberdade de consciência e à prática religiosa, e assim também sobre temas sociais como vacinação obrigatória, imigração, raça, civilização brasileira.

Quanto às pesquisas científicas e livros clássicos sobre o Espiritismo, Werneck mostra-se, então, atualizado com as obras de Crookes, Lombroso, Richet, Conan Doyle, Flammarion, Victor Hugo. Sobre os aspectos experimentais, ele diz:

Quando me resolvi a terçar armas em favor do espiritismo, mostrando a injustiça dos que o combatem, a minha primeira ideia foi apresentar uma série de estudos originais, orientados em rumo diverso do seguido até então. A dificuldade estava em descobrir um médium honesto, desinteressado e de faculdades excepcionais para essa espécie de fenômenos.

Desanimado de encontrá-lo, resolvi calcar os meus estudos sobre os trabalhos de alguns experimentadores notáveis, submetendo à crítica seus erros e inconsequências.

Já tinha escrito dois volumes quando inesperadamente encontrei em meu caminho o médium que procurava [José de Araújo], e com ele encetei uma série de experiências coroadas de êxito.

De outro lado, com respeito aos aspectos doutrinários do Espiritismo, mostra-se estudioso das obras de Kardec e defensor intransigente da Codificação Espírita. Com efeito, no Capítulo I.b - O ESPIRITISMO NÃO É UM RELIGIÃO, Werneck faz uma histórica defesa doutrinária da Doutrina Espírita em face das ideias de J. B. Roustaing; e em I.c - BREVE RESPOSTA AOS DETRATORES DO ESPIRITISMO, resume o capítulo do mesmo título que consta de Obras Póstumas, de Kardec.

Por fim, no Capítulo 12 - CONCLUSÃO, um septuagenário brasileiro de tantas lutas e valorosos ideais — republicano, abolicionista, nacionalista, espírito liberal —,  o outrora cético das religiões e filosofias, nos deixa uma página primorosa de fé em Deus e no futuro do do Brasil:

Ao despedir-me de uma vida fatigada que já não tem encantos, que já não tem auroras, que se estiola ao gélido sopro do inverno, eu me volto para Deus.

Que Ele se amerceie dos que ficam. Que Ele proteja a obra da civilização que aqui lhe aprouver criar e tão corrompida vai sendo.

Que à sombra de nossa bandeira se acolham todas as religiões, todas as seitas, todos os credos, todas as ciências. Eis a compreensão alevantada e justa que constitui o traço característico de nossa raça. É isso que é o Brasil.

Que todos se congreguem em torno de um único ideal de liberdade e amor.

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Materialização de Judith

Antônio Eliézer Leal de Souza, escritor de destaque no parnasianismo do início do século XX, jornalista e crítico literário, foi diretor de A Careta e secretário de A Noite, do Diário de Notícias e de A Nota, todos do Rio de Janeiro.

 Capa de A Noite, de 7 de janeiro de 1924

Nos anos 1920, ele realizou inúmeras pesquisas sobre os fenômenos espíritas e práticas mediúnicas ocorridos nos centros espíritas e terreiros. Essas pesquisas resultaram em dois inquéritos históricos. O primeiro — uma série de reportagens no jornal A Noite (RJ), no início de 1924 — formou, posteriormente, o livro No mundo dos espíritos (4), publicado em 1925. O segundo, realizado no jornal Diário de Notícias (RJ), a partir de novembro de 1932, deu origem ao livro Espiritismo, Magia e as Sete Linhas de Umbanda, publicado em 1933. (5)

    Capa do livro O mundo dos espíritos, de Leal de Souza, 1a. edição de 1925.


Diário de Notícias (RJ), edição de 16 de novembro de 1932, estampou texto de Leal de Souza, relatando reunião mediúnica de que participara alguns anos antes, na qual ocorreu a materialização do espírito de Judith Lemos Werneck, a primeira esposa de Américo Werneck. Tal reunião foi presidida pelo próprio Werneck, que desde há alguns anos vinha realizando experimentações espíritas.

Eis alguns trechos desse relato de Leal de Souza:

O ilustre médico Dr. Oliveira Botelho, ministro da Fazenda, no último governo constitucional, viu operar-se diante de seus olhos a ressurreição transitória de uma de suas filhas, por ele conduzida ao cemitério, sendo também consagradas pelo êxito pleno, outras das experiências realizadas sob fiscalização rigorosa pelo sábio, engenheiro Dr. Américo Werneck, e algumas das quais assisti.

..........................

(...) ocorreu o fenômeno principal da noite.

Era, disseram-nos, a esposa do Dr. Werneck falecida aos 25 anos, e não deixava de ser emocionante a sua aparição, na plenitude da mocidade, ao lado do esposo septuagenário.

...........................

E, num circulo de luz espiritual, que a tornava plenamente visível, a ressurreta percorreu a ampla extensão do recinto, agitando em ondulações a brancura de suas vestes, e como eu era um dos presentes, que não assistira as suas materializações anteriores, acercou-se de mim.

— Veja. Será a mão de uma morta? E tocou-me na mão.

Era tépida. Louvei as rendas de seu vestuário, e ela, erguendo o braço, em curva graciosa, estendeu-as; a da manga, sobre as minhas mãos:

— Pode ver. São antigas.

Ousei insinuar:

— Como seriam as sandálias, no seu tempo…

— No meu tempo eram chinelas, respondeu, e caminhando até a mesa existente no fundo da sala, voltou com uma pequena bilha e um copo.

Ofereceu e serviu água a todos os assistentes, trocando frases com eles, e depois de cumprimentar-nos, avisando que se retirava, repôs a bilha e o copo na mesa, e começou a esbater-se, desfazendo-se até desaparecer.

Transcrito do jornal Diário de Notícias (RJ), de 16/11/1932, pág. 6, 2a. seção.


Fonte: Diário de Notícias (RJ), de 16/11/1932

  • No relato supracitado, consta que os membros da equipe espiritual responsável pelo fenômeno de materialização, os quais davam apoio espiritual às experiências de Américo Werneck, eram "enviados de João, o espírito que trabalhava com D. Anna Prado." É desse espírito materializado a foto acima, que ilustra a reportagem. Os trabalhos realizados pela médium Anna Prado foram divulgados por Nogueira de Faria, no livro O trabalho dos mortos.
  • A reportagem completa sobre a a materialização de Judith pode ser vista na edição de 16/11/1932 do Diário de Notícias (RJ), disponível na Hemeroteca Digital Brasileira, da Biblioteca Nacional, neste link: (aqui).
  • ​​​Leal de Souza, escritor e poeta e escreveu Bosque Sagrado, 1917; A Mulher na Poesia Brasileira, 1918; A Romaria da Saudade, 1919 e Canções Revolucionárias, 1923. No livro A mulher na poesia brasileira [Rio de Janeiro: Livraria Editora Leite Ribeiro & Maurilho, 1918], ele comentou poesias de Auta de Souzapós seu desencarne, ditou a Chico Xavier o poema Morte e Reencarnação, publicada no livro Antologia dos Imortais, de 1963. 
  • Leal de Souza também foi requisitado orador e uma famosa conferência sobre suas pesquisas espíritas, realizada na Federação Espírita Brasileira, pode ser vista no livro Transposição dos Umbrais, de 1924.

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Glossário

  • Espírito. Ser desencarnado, e vivo no plano espiritual. Também assim se pode expressar: - Homem vivo = homem encarnado. - Homem morto = homem desencarnado.
  • Espiritismo. Doutrina científica, filosófica e religiosa, codificada por Allan Kardec, baseada no animismo e na mediunidade. No animismo, estudam-se os fenômenos produzidos pelo próprio espírito do indivíduo; no mediunismo, os produzidos pelos espíritos desencarnados, através de um médium.
  • Fenômeno. Fato, aspecto ou ocorrência, que pode ser observado, ou, ainda, descrito e explicado cientificamente.
  • Fenômeno espírita. Fenômeno do Espiritismo, que ocorre na presença de um sensitivo, isto é, o indivíduo que possui faculdades extrassensoriais, podendo ser ou não médium.
  • Incorporação. 1. Tomada do corpo do médium por um guia ou Espírito; descida, transe mediúnico. 2. Ação e efeito de o médium receber em si entidade espiritual.
  • Materializar. 1. Dar corpo e forma a criações do espírito. 2. Tornar visível e palpável as emanações dos fluidos mediúnicos nas sessões espíritas. [Silveira Bueno].
  • Umbanda. 1. Culto espiritualista sincretizado por elementos afro-brasileiros, cristãos e do mediunismo. Difere do Espiritismo quanto à prática e doutrina. Os cultos umbandistas são baseados no animismo e na mediunidade, e praticados com finalidade construtiva de cura, de equilíbrio espiritual, de caridade evangélica, de orientação moral, etc

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Referências

  1. WERNECK, Américo.Um punhado de verdades. Rio de Janeiro : A. Gomes Pereira & C., Editores, 1923.
  2. GUIMARÃES, Antônio Lobo. Abigail [Mediunidade e redenção]. Belo Horizonte : Edição do Autor, 2009, pág. 
  3. LINHARES, Themístocles. História Crítica do Romance Brasileiro (1728-1981). Belo Horizonte : Itatiaia : Editora da USP, 1987, Vol. I, p. 256.
  4. LEAL DE SOUZA, Antônio Eliézer. No mundo dos espíritos. Rio de Janeiro : Editora Gráfica A Noite, 1925.
  5. LEAL DE SOUZA, Antônio Eliézer. O Espiritismo, Magia e as Sete Linhas de Umbanda. Limeira, SP: Editora do Conhecimento, 2a. edição.

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Publicado por Guimaguinhas em 20/03/2014 às 07h33
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