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13/03/2014 10h29
Literatura de Aguinhas (15) - Contexto cultural e político de Américo Werneck

Sumário

  1. Introdução
  2. Dados pessoais e formação
  3. Vivências
  4. Empreendimentos
  5. Gosto pelas Letras
  6. Publicista
  7. Parlamentar
  8. Homem público
  9. Registros biográficos de Américo Werneck
  10. Referências
  11. Ilustração de abertura
  12. Demais posts da série

1 - Introdução

O objetivo deste post é divulgar, por meio de pequenas notas e indicações bibliográficas, alguns subsídios para conhecimento dos principais fatos da vida de Américo Werneck.

Esses subsídios foram postados aqui, também, para uma ligeira visão do contexto cultural e político em que ele nasceu, se formou e viveu, com o que pretendemos facilitar a exposição e a compreensão desta série As obras literárias de Américo Werneck, e bem assim conhecer fatores influentes sobre a pena do escritor.

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2 - Dados pessoais e formação

Américo Werneck nasceu no Distrito de Bemposta, em Paraíba do Sul (RJ) [atualmente Bemposta pertence ao município de Três Rios (RJ)], no dia 13 de março de 1855, filho de Inácio dos Santos Werneck e de Luísa Amélia de Oliveira, barões de Bemposta. Faleceu no Rio de Janeiro em 17 de setembro de 1927. Foi casado com Judith de Lemos Werneck e posteriormente com Regina de Andrade Werneck.

Homem de coração generoso, do que há pelo menos dois registros:

  • O retrato de Américo Werneck estampado no Asilo São Luiz para Velhice Desamparada, no Rio de Janeiro, em razão de ter sido ele um dos beneméritos daquela instituição.
  • O registro constante da nota de seu falecimento (jornal A Noite, RJ, de 17/09/1927) de que fizera doações importantes a muitas instituições de caridade.

Estudos preparatórios: Colégio Kopke, de Petrópolis, no Colégio Pedro II, e no externato Aquino, ambos no Rio de Janeiro. Matriculou-se na então Escola Central, no ano de 1872, e formou-se Engenheiro Civil, na turma de 1876, da então Escola Politécnica do Rio de Janeiro, nome que aquela recebeu a partir de 1874.

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3 - Vivências

  • Seu berço foi a aristocracia rural, escravocrata e cafeeira do Vale do Paraíba (RJ), meados do Século XIX.
  • Cursou engenharia, no Rio de Janeiro [1872-1876]
  • À busca de Judith, sua primeira mulher, esteve hospedado em São Gonçalo do Sapucaí (MG), na mansão da Baronesa de Rio Verde, tia de Judith [anos 1870].
  • Morou em São Gonçalo do Sapucaí (MG) [anos 1870/80] e praticou o jornalismo no jornal Gazeta Sul-Mineira, folha republicana e abolicionista daquela cidade.
  • Instalou-se em Águas Virtuosas do Lambary em 1889, quando comprou a Fazenda dos Pinheiros. Juntou-se ao grupo político formado por Garção Stockler. Praticou o jornalismo nas folhas A Peleja (Águas Virtuosas) e A Revolução.

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4 - Empreendimentos

  • No seu livro Judith (1), Werneck relata suas dificuldades para conseguir emprego na área de engenharia ["havia engenheiros demais para a épóca"], e ["Disposto a combater a monarquia na imprensa e nas urnas, não podia solicitar emprego público".] (págs. 135/36).
  • E prossegue: "Decidido o abandono da profissão, não descobrindo futuro na carreira das letras, para a qual me impeliam as aptidões cerebrais, sem jeito para o comércio, restava-me o campo independente da agricultura."
  • Proprietário rural e cafeicultor no Vale do Paraíba [em São José do Vale do Rio Preto, numa fazenda anexa à de seu pai, provavelmente em 1877, logo após sua formatura] e no Sul de Minas [Fazenda dos Pinheiros, em Águas Virtuosas do Lambary, adquirida por compra a Garção Stockler, em 1889].
  • Arrendatário das águas de Cambuquira, MG, a partir de 1895 [Empreza Lambary e Cambuquira, fundada por Américo Werneck], realizou estudos e captações das águas daquela estância. Uma das fontes de Cambuquira é denominada Regina Werneck, em homenagem à segunda esposa de Werneck.
  • Arrendatário da Estância Hidromineral de Águas Virtuosas [1912-13]
  • Acionista das Indústrias Alba, Rio de Janeiro [Década de 1920] - Empreendimento em que aplicou a indenização recebida do Governo de Minas Gerais - Questão Minas X Werneck (aqui).

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5 - Gosto pelas Letras

  • No livro Judith, Werneck relata como conheceu e se apaixonou por sua primeira mulher [Judith Lemos Werneck]. Essa narrativa começa em princípios de 1874 [Werneck tinha 18 para 19 anos e Judith, 12] e se encerra com o casamento [17 de novembro de 1878].
  • No mesmo livro [pág. 30], e ainda jovem estudante, confessa estar nos primeiros lineamentos de Arte de Educar os Filhos. Como lhe faltasse ainda experiência e vivência para escrever tal obra, fez-se romancista, e escreveu as primeiras páginas de Graciema.
  • Ainda em Judith, à pag. 110, escreveu: ".. distraía-me a escrever os dois romances Morena e Graciema, no último dos quais te encarnavas na figura poética de Juracy." [No romance, esse fato ocorre no mês de novembro de 1877].
  • Às páginas 139/40 de Judith, durante um baile em São Gonçalo do Sapucaí, na mansão da Baronesa de Rio de Verde [Olímpia Carolina Villela de Lemos, tia de Judith], confessa estar escrevendo romances: "Um chama-se Morena. É uma lenda mineira, vasada nas impressões de viagem. Tem um entrecho real e interessante. Ao outro pus o título Graciema e Juracy. — São dois ideais de mulher. Espero com essa obra fundar a escola idealista brasileira, casando a poesia da inocência com o lirismo da natureza americana". [Em nota posterior à primeira edição do livro, desculpou-se pela pretensão.]
  • Na época em que morou em São Gonçalo do Sapucaí (MG), Werneck passou a publicar folhetins no jornal Gazeta Sul-Mineira [A Conjuração Mineira; Romance Brasileiro]. E certamente é dessa época sua inspiração para escrever A heroína da Inconfidência, romance da vida de Bárbara Heliodora, que também residira naquela cidade.
  • Quanto aos idiomas estrangeiros, provavelmente conhecia o espanhol, o inglês e o francês. É certo que conhecia esses dois últimos. Do inglês, traduziu Hamlet, de Shakespeare, do qual incluiu longos trechos no livro Marido e Amante. Dominava também o francês, pois escreveu diversos artigos baseados no livro Trois ans au Ministère des Travaux Publics, de Yves Guiot. (2)

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6 - Publicista

Na definição de José Veríssimo, publicista é aquele que escreve por amor e interesse da causa pública e cuja íntima inspiração é política. (3)

Podemos separar a atividade jornalística de Werneck de sua passagem pelo Sul de Minas (anos 1880/90), que teve como bandeiras principais o abolicionismo e a república, daquela praticada em idade mais madura, em jornais da Capital Federal, Belo Horizonte, Petrópolis.

De artigos publicados nessa última fase, em que passou a exercer cargos no Legislativo e no Executivo, é que se originaram alguns dos opúsculos e livros sobre finanças, economia, sociologia, direito e política que editou.

Abandonou a vida pública em 1912, quando deixou a Prefeitura de Águas Virtuosas. Mas prosseguiu com sua vida literária, escrevendo livros e publicando artigos.

Dos livros ligados à sua atividade de publicista, podemos citar:

“O Brasil seu Presente e seu Futuro”; “Erros e Vícios da Organização Republicana”; “Problemas Fluminenses”; “Estudos Mineiros”; “Ecos da Multidão”; “Revisão Constitucional”; “Indústrias de Transportes”; “Reforma do Sistema Tributário”; “Reflexões sobre a Crise Financeira”; “Tarifas Aduaneiras”; “Política e Finanças”; “Interdito Possessório”; “Juízo Arbitral”; “Liberdade de Testar”; “Do Divórcio”. 


Veja também edições da GAZETA SUL MINEIRA, anos 1887, 1890, 1991, editada em São Gonçalo do Sapucaí, por Américo Werneck (aqui)

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7 - Parlamentar

  • Na eleição de 24 de abril de 1892, elegeu-se deputado estadual no Rio de Janeiro. 
  • Em 1902 foi eleito deputado estadual no estado do Rio e ocupou uma cadeira na Assembleia Legislativa fluminense até 1904.
  • Em 1906 foi eleito deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro e tomou posse em maio do mesmo ano, cumprindo o mandato até dezembro de 1908.

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8 - Homem público

  • Prefeito de Belo Horizonte por pequeno período: um mês e quatorze dias [setembro de 1898].
  • Fez parte da Comissão Construtora da Nova Capital (Belo Horizonte) [29 de dezembro de 1897 a 14 de abril de 1899] (aqui)
  • Em setembro de 1898, foi nomeado secretário de Agricultura e Obras Públicas do estado de Minas Gerais, no governo de Francisco Silviano de Almeida Brandão (1898-1902), permanecendo no cargo até fevereiro de 1901. 
  • Em abril de 1904, no governo de Nilo Peçanha (1903-1906), tornou-se consultor técnico de Obras Públicas, Comércio e Indústria do estado do Rio, mantendo-se nessa função por dois anos. Esse cargo foi criado especialmente para Werneck.

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9 - Registros biográficos

Themístocles Linhares (4), ao comentar os romances de Werneck, registra em nota de rodapé:

Américo Werneck, pouco se sabe de sua biografia. Como tivesse vivido sempre no Rio de Janeiro, supõe-se que tenha ali nascido e morrido.

O fato é que havia e ainda há poucos registros biográficos de Américo Werneck. De qualquer modo, seguem abaixo indicações dos que conseguimos coletar.


  • Site da Prefeitura de Belo Horizonte (aqui)
  • PINHEIRO, Luciana. Amércio Werneck [CPDOC/FGV] (aqui)
  • VELHO SOBRINHO, J. F. Dicionário Bio-bibliográfico Brasileiro [2 vols]. Rio de Janeiro : Irmãos Pongetti, 1937 [aqui]
  • CARROZZO, João. História Cronológica de Lambari. Piracicaba, SP : Shekinah Editora, 1ª. edição, 1988, págs. 230/32.

Fonte: MARTINS, Armindo. Lambari, cidade das Águas Virtuosas, 1a. edição, 1949, p. 19.

Fonte: MILEO, José N. Ruas de Lambari. Guaratinguetá, SP : Graficávila, 1a. edição, 1970, págs. 35/36.

Fonte: LUZ, Nícia Vilela. A luta pela industrialização do Brasil. São Paulo : Editora Alfa Ômega, 1978, págs. 88/89

Fonte: Externato Aquino (1864) - Ex-alunos - Subsídios biográficos-genealógicos. Pág. 6. Disponível em: http://www.cbg.org.br/novo/wp-content/uploads/2012/07/externato-aquino-II.pdf. Visitado em 11/03/2014.

Fonte: Jornal A Noite, Rio de Janeiro, 17/09/1927

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Referências

  1. WERNECK, Américo. Judith, por seu noivo Américo Werneck. Lisboa : Typographia A Editora Ltda., 1912.
  2. GALVÃO, Ronaldo Guimarães. Relações Culturais Brasil-França nas crônicas de Brito Broca: a entrevista com Émile Zola, 1898. [Artigo] Revista Estação Literária,  Londrina, PR, vol. 11, p. 348.
  3. VERÍSSIMO, José. História da Literatura Brasileira. Brasília, DF : Editora UnB, 4a. edição 1981, p. 266.
  4. LINHARES, Themístocles. História Crítica do Romance Brasileiro (1728-1981). Belo Horizonte : Itatiaia : Editora da USP, 1987, p. 256.

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Ilustração de abertura

Sobrado construído no final Século XVIII, em São Gonçalo do Sapucaí (MG) [atualmente demolido], que pertenceu à Baronesa de Rio Verde [Olímpia Carolina Villela de Lemos], tia de Judith de Lemos, que veio a ser a primeira mulher de Werneck. No romance Judith, Werneck descreveu cenas ocorridas nos anos 1870, no interior desse sobrado.

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Demais posts da série:

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Publicado por Guimaguinhas em 13/03/2014 às 10h29
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