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Memórias familiares e da minha cidade natal
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MEMÓRIAS FAMILIARES - A família Gentil Lobo -
 
Parte 1 - As origens
 
Sumário
Introdução
Origens da família Lobo
Origens da família Gentili 
O Sítio da Vargem
A ida da família para Pitangueiras (SP)
Recomeço da Vida em Lambari
O falecimento de meu avô

Introdução

Nesta série A família Gentil Lobo, vou contar as origens de minha família, pelo lado de minha mãe - Neli Gentil Lobo, cuja filiação está assim resumida no livro Menino-Serelepe*:

Domingos Francisco Lobo/Maria Messias Santos: Miguel Arcanjo dos Santos. Giuseppe Gentili/Francesca Bodegorni Gentili: Iracema Gentil Lobo. NELI GENTIL LOBO, depois saiu o LOBO e entrou o GUIMARÃES.

Origens da família Lobo

 
Meu avô materno chamava-se Miguel Archanjo dos Santos, e era filho de Domingos Francisco Lobo e Maria Messias Santos. Domingos era filho de Tomé Lobo, que deu nome a uma rua no bairro Vila NovaMaria Messias vem de antiga família Santos, de Lambari.

A citada Rua Tomé Lobo, que corresponde à rua do Grupo Escolar da Vila Nova, diz o memorialista José Mileo ter sido uma homenagem a:

Tomé Francisco de Oliveira Lobo. Natural de Campanha. Fazendeiro. Em 1885, já possuía a sua grande fazenda, onde hoje se localizam o Bairro da Vila Nova, o Bairro Silvestrini, avançando até o alto da serra, com produção de cana, de café e de fumo. (1)


Domingos Francisco Lobo, meu bisavô, teve os seguintes irmãos: João, Loreta, Leôncia, Vitória, Antônio, José e Joaquim Lobo.

Meu avô Miguel teve os seguintes irmãos:

- João Batista que foi casado com Maria Alves e pai de: João, Jovelinda,
   Cacilda, Pedro, Miguel, Ataíde, Nílza;

Tomé que foi casado com Aparecida e pai de Maria;
- Joaquim, chamado Tintim, que morreu solteiro;
- Ana que foi casada com Joaquim Dutra, e mãe de Geraldo, Messias e
   Manoel.

- Jovem que foi casada com Geraldo Tomás e mãe de: Dora e Daniel; e

- Sara que foi 
casada com Francisco Tomás e mãe de Domingos, Laura,
  Isau
ra, Francisca, João
e Hélio
. (Eram duas irmãs casadas com dois irmãos.)

Descendentes de Ana (Lobo) de Oliveira Dutra e Joaquim Dutra
 
Manoel Lobo Dutra com sua mulher Isabel Gonçalves Dutra e seus filhos: Helenice, Roberto e Emerson (menino agachado). Foto tirada no Parque das Águas de São Lourenço em 1983.
 
Ana e Joaquim Dutra deixaram Lambari nos anos 1950, mudando-se para Aparecida do Norte, onde se estabeleceram com uma barraca de artigos religiosos.

Em Lambari, Ana e Joaquim Dutra moravam numa casinha que ficava no início da rua Messias Machado da Silveira, no bairro Vila Nova.


Início da Rua Messias Machado da Silveira, bairro Vila Nova, Lambari. A antiga casa de Ana e Joaquim Dutra situava-se mais ou menos em frente ao carro preto da foto.
(Fonte: GoogleMaps)

Minha avó Iracema, casada com Miguel Arcanjo, visitou-os algumas vezes, em Aparecida, nos anos 1960. Minha mãe Neli conta que sua tia Ana de Oliveira Dutra estava velhinha e tinha medo de atravessar a Via Dutra, quando ia trabalhar, pois morava do outro lado da rodovia.

Meus primos, filhos de Messias Gentil Lobo e Elisa Lemos Lobo, iam todo ano a Aparecida, levados pelos pais, e recordam que sempre passavam na barraquinha da "tia Ana" para vê-la e comprar óleo santo. Essa barraca — na verdade, como eles recordam, um carrinho com produtos típicos de Aparecida — ficava na subida da rua que desemboca na Igreja velha de Aparecida.

 
- A família Gentil Lobo em Aparecida - Veja aqui

Segundo esses meus primos, Joaquim Dutra era irmão de Oswaldo Dutra, já falecido, que trabalhava como sapateiro. Os filhos de Oswaldo Dutra moram em Lambari, um deles no bairro Campinho, na mesma casa que foi de seu pai.

Depois disso, ao que sabemos, somente agora, em agosto de 2017, Emerson e Roberto Gonçalves Dutra, filhos de Manoel Lobo Dutra e netos de Ana e Joaquim Dutra, fizeram contato com este blog e enviaram a foto acima.

 

 
Meu avô nasceu em 1898, em Águas Virtuosas.
 

Origens da família Gentili
 
Francesca Bodegorni e Giuseppe Gentili, meus bisavós italianos.

No Menino-Serelepe* eu conto as origens de minha avó Iracema:

  Filha de Giuseppe e de Francesca, vó foi concebida na região de Massa, na Itália, terra de origem de seus pais, mas nasceu no Brasil. Em Massa, o Gentili-bisavô fora mineiro e tirava sucata de mármore num trolinho, a 1.500 metros de fundura, até que a mina desabou, matando vários companheiros. Mas ele conseguiu se safar e aí escapou de vez para o Brasil, em demanda das minas das Gerais. Aqui chegando, mudou de ramo e foi trabalhar na roça, começando pelos Ribeiros, próximo de Heliodora, até dar com os costados em Aguinhas, onde se instalou com a família numerosa (Rosa, Aníbal, Clotilde, Vital, Laurinda, Saulo e Marieta, esses os irmãos da Vó Cema). 

Francesca Gentili, conhecida como Chica Gorda, vendia aos hotéis de Lambari a produção das hortas que tocava com a família no bairro Vargem (fundo da Vila Nova).

 

Alistamento militar de Giuseppe Gentili, em Massa, Itália, 1886.
 

Os irmãos de minha avó e seus familiares são os seguintes:
- Rosa casada com João Bruno e mãe de: Sílvio, Estela, José, Ana, Lavina e Maria;
Aníbal, casado com Zilda Metidiéri e pai de: Lourdes (Zu), Glória, Célia (Inha), Nílson e José;
- Marieta, casada com Alcides Carlini e pai de Jorge Carlini;
- Vital, casado com Emília Lauc e pai de: Pedro, Benedito, Didinho, Aparecida e Biluca;
- Laurinda, casada com José da Cruz (também conhecido por José dos Reis) e pai
de: Lourdes, Ilda, José, Bráulio, Célio, Regina, Zilda e Marina;
- Clotilde, casada com José Teixeira;
- Saulo, que morreu solteiro.
- Vital, Saulo e Rosa, os mais velhos, nasceram na Itália e vieram crianças para o Brasil.

 Rosa Gentil Bruno, irmã mais velha de Iracema Gentil Lobo
  Aníbal Gentil e sua mulher Zilda
 

O Sítio da Vargem

Quando se casaram, meus avós Miguel e Iracema se instalaram em lote de terra herdado por meu avô, localizado na Vargem, na subida da serra, aos fundos da Vila Nova. O casal dedicado e trabalhador logo formou belo sítio: imensa horta, animais de leite, grande mangueiro, plantação de café, milho e feijão, um pequeno engenho de cana. Os filhos mais velhos - Messias e Rubens - desde logo aprenderam a cuidar da horta e alimentar o fogo de enormes panelas de ferro, nas quais ferviam legumes e hortaliças para alimentar dezenas de porcos.

Nos anos de 1930, com a Revolução, durante meses o sítio da Vargem deu abrigo e comida a parte da parentalha, que muitos jovens e pais de família, sendo reservistas, deixavam as cidades e se escondiam na zona rural, com medo de serem convocados à luta. Pelos trens do Sul de Minas transitavam as tropas em direção a São Paulo, o que só fazia aumentar o medo da população civil. 

Foram tempos difíceis, que levaram a economia do Estado à estagnação, e quando o conflito terminou, com o sítio empobrecido - paióis, mangueiros e currais esvaziados  -, meus avós deixaram a Vargem, mudaram-se para Vila Nova e foram trabalhar de caseiros para a família de Vital Brasil, na residência que até hoje existe, localizada ao lado do Edifício Vital Brasil, perto do Hotel Imperial. O casal passou a morar, então, nos fundos dessa propriedade.
 

 
Anos 1930: soldados mineiros embarcados nos trens da R.M.V. seguem para a frente de batalha, na Serra da Mantiqueira.
 

A ida da família para Pitangueiras (SP)

Próximo da casa da família Vital Brasil, situava-se o Laticínio Silvestrini (num terreno localizado entre os fundos do (então) Hotel América, Posto GregattiParque Novo, atrás do casarão que ainda existe em frente ao Hotel Imperial),  e logo meu avô ali se empregou e se tornou bastante camarada de Mário Silvestrini. Minha avó continuou trabalhando para a família Vital Brasil.

 
Nos fundos do Parque Novo, próximo do casarão que aparece à direita da foto, situava-se o Laticínio Silvestrini, onde se criou o famoso Catupiry

Em o Menino-Serelepe* conto passagem da vida de meus avós maternos em que eles se mudaram de Lambari para Pitangueiras (SP), para gerenciar um laticínio que os Silvestrini adquiriram por aquelas bandas. Eis o trecho:

Vidinha mais ou menos boa vó Cema só teve quando vô Miguel foi ser gerente de laticínio em Pitangueiras, no Estado de São Paulo (uma foto do meu avô engravatado, posando com toda a família e a professora particular dos filhos, ilustra bem essa fase). Vô foi pra Pitangueiras levado pelo Mário Silvestrini, que o meu avô foi queijeiro dos bons e ensinou o ofício pros filhos homens mais velhos.
.............
Época farta, mas breve essa passada fora de Minas, que depois só dificuldade sobreveio, pois o meu vô Miguel, muito doente, pediu as contas e retornou às pressas pra Aguinhas com a roupa do corpo e uns poucos trens nas malas.

Meu avô contraíra maleita e, para recuperar-se da doença, retornou para Lambari.

 

 
Final dos anos 1930: A família Gentil Lobo - Iracema, Miguel e filhos - em Pitangueiras, SP
 

Recomeço da vida em Lambari

A retomada da vida em Lambari foi de muita luta para o casal Iracema e Miguel, visto que a doença abatera intensamente meu avô. Mesmo depois de curado, ele antes um homem forte, vigoroso e empreendedor, tornou-se desacorçoado de quase tudo. Ainda assim, empregou-se na Prefeitura, levado pelo cunhado Aníbal Gentil, e passou a cuidar dos jardins da casa do Dr. João Lisboa, especialmente do orquidário. No início dos anos 1940, meu avô e tio Aníbal foi que plantaram as paineiras, que ainda existem, no entorno da Volta do Lago.
As paineiras da Volta do Lago
 
Contava meu tio Rubens Lobo que, certa tarde, Aníbal e Miguel saíram do depósito da Prefeitura com um carrinho carregado de mudas e foram plantando as pequenas paineiras no entorno da Volta do Lago.
Aníbal Gentil e Miguel Lobo
 
 
Postal antigo: uma paineira na Volta do Lago.
Esse fato se deu no início dos anos 1940, de modo que algumas dessas paineiras, mesmo envelhecidas e desgastadas, ainda estão lá, lançando à Vida as sementes de novas árvores, novas flores, novos frutos, novas vidas, como podemos ver das fotos abaixo:
Paineira próxima do Hotel Itaici



Paineira na primeira curva do Lago
 

O falecimento de meu avô
 
No Menino-Serelepe* anotei:

(...) quando vó Cema enviuvou teve de cuidar da prole sozinha — minha mãe, a caçula, tinha só 10 anos —, movida só por uma pensãozinha micha deixada pelo vô Miguel, que foi só isso, seis filhos e uma navalha Três Coroas que o pobre coitado do meu avô deixou, mais nada. Vó ficou viúva jovem e não mais se casou. Pra sobreviver, ela foi à luta e, de sol a sol, junto com a filharada solteira — tio Messias e tio Rubens já eram casados — aprendeu a tecer artesanato de capim membeca e bolsas adornadas com cartões postais de Aguinhas e a fazer flores artificiais de avenca e massa de trigo tingidas com corantes para vender na Estação Férrea, na Paradinha Melo, no Parque das Águas, nas portas dos hotéis
 

Vocabulário de Aguinhas

Membeca: 
Capim pródigo na região de Aguinhas com que se trança artesanato; em alguns lugares é chamado de barba-de-bode.

(1) MILEO, José N. Ruas de Lambari. Guaratinguetá, SP : Graficávila, 1970, p. 62.
 

Se você, caro(a) visitante, tiver notícias, informações, casos e fotos dessa época, ou quiser fazer alguma correção ou complementação ao texto aqui publicado, entre em contato conosco neste e-mail: historiasdeaguinhas@gmail.com

Sobre meus avós, vejam-se também estes posts:

- E fogões de lenha não há mais! (aqui)
- Sob as asas da vó Cema (aqui)
- Na Aparecida do Norte (aqui)

Veja também as demais partes desta série:

2 - A Vila Nova do meu tempo (aqui)
3 - A família Gentil Lobo (aqui)
4 - Aspectos da vida da família nos anos 1950/60 (aqui)

 
(*) Esta narrativa faz parte do livro Menino-Serelepe - Um antigo menino levado contando vantagem, uma ficção baseada em fatos reais da vida do autor, numa cidadezinha do interior de Minas Gerais, nos anos 1960.

O livro é de autoria de Antônio Lobo Guimarães, pseudônimo com que Antônio Carlos Guimarães (Guima, de Aguinhas) assina a série MEMÓRIAS DE ÁGUINHAS. Veja acima o tópico Livros à Venda.
Guimaguinhas
Enviado por Guimaguinhas em 04/10/2013
Alterado em 19/08/2017
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